segunda-feira, 24 de março de 2014

Roda de Leitura vai explorar sabores de São Cristóvão

Queijada, um sabor encontrado em São Cristóvão

Na próxima sexta, (28/3), às 9 horas, acontece no auditório do Museu Histórico de Sergipe a Roda de Leitura “Sabores de São Cristóvão”. O evento pretende explorar textos poéticos de sabores inconfundíveis da quarta cidade mais antiga do Brasil, como da queijada, castanha caramelada, beijús e bricelets. A gastronomia constitui um patrimônio imaterial que dada sua importância se acha retida nas impressões, lembranças e na literatura. 

Ano passado o Museu Histórico de Sergipe realizou duas rodas temáticas: Polemizando Monteiro Lobato (abril), Combatendo Racismo (setembro). Para roda de leitura Sabores de São Cristóvão foram selecionados textos de Freire Ribeiro, Luiz Melo, Aglacy Mary e Thiago Fragata. 

Presença confirmada de alunos do Escola do Lar Imaculada Conceição (ELIC).

Bricelets, outro sabor encontrado em São Cristóvão

quinta-feira, 13 de março de 2014

Palestra e exposição no dia 17 de Março, segunda-feira!

João Bebe-Água, de Demisson Santos, uma das atrações
O Museu Histórico de Sergipe lançará na segunda, 17 de março, dia alusivo a Mudança da Capital, a terceira edição do Projeto Casa de João Bebe-água. Na programação, Thiago Fragata irá conceder a palestra “Mudança da capital: onde, como, porquê” , também haverá lançamento da exposição temporária “Sonhos de João Bebe-Água”.

Neste importante episodio da vida política de Sergipe, João João Bebe-Água, o bairrista homenageado teria praguejado, protestado, feito promessas, inconformado com o ato governista. Para exposição temporária “Sonhos de João Bebe-Água” foi lançado desafio aos artistas de recriar com imaginação e pesquisa sua versão do misterioso rebelde, o resultado dividirá a sala com mobílias da antiga Assembleia e Câmara Provincial, também documentação original a exemplo do Relatório que Inácio Joaquim Barbosa, Governador, expos a necessidade de mudar a sede do poder político para Aracaju.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA - 17 de março

10:00 Hs - Mudança da capital: onde, como, porquê – palestra com Thiago Fragata
11:00 Hs – Lançamento da exposição temporária “Sonhos de João Bebe-Água”

Relatório Provincial, de 1 de março de 1855. Original. Acervo do MHS


MUSEU É PALÁCIO PROVINCIAL NA FESTA DO SENHOR DOS PASSOS

Fiéis e autoridades acompanham encontro das imagens santas. Foto: Tito Garcez, 2011


Na segunda quinzena da Quaresma acontece a Festa de Senhor do Passos, em São Cristóvão, há pelo menos 2 séculos. Além dos diversos ritos da homília católica, o evento é marcado por 2 grandes procissões: uma dedicada ao Senhor do Passos (Procissão Penitencial), que ocorre na noite do sábado; e a procissão do Encontro, quando dois préstitos chegam a Praça São Francisco portando as imagens do Senhor do Passos e da Nossa Senhora das Dores. A multidão se comprime em todos os cantos da referida praça para acompanhar o sermão e o canto da Verônica. Nos dias do evento  a cidade se transforma na "Meca" dos católicos.

Todo domingo de Passos o Museu Histórico Sergipe sofre uma transformação: retorna sua condição de Palácio Provincial (1825/1855). Quando São Cristóvão era capital, Governador e correligionários convidados assistiam da sacada o principal momento da Procissão do Encontro.

Dada a importância  do momento é que o Museu Histórico de Sergipe não cumprirá seu expediente no sábado e domingo, dias 15 e 16 de março, assim pede a compreensão de todos os fiéis.  

Procissão dos Passos na Praça São Francisco. São Cristóvão, primeira metade do século XX

segunda-feira, 10 de março de 2014

Procissão do Senhor dos Passos

Procissão do Senhor dos Passos. Foto: Marcio Garcez, 2006



Thiago Fragata*

A Procissão do Senhor dos Passos acontece em São Cristóvão há séculos, sempre realizada no segundo fim de semana da quaresma. Os dois momentos ou as duas procissões, uma chamada Procissão de Senhor dos Passos, outra chamada Procissão do Encontro fazem parte do Ciclo da Semana Santa, que tem ainda a Procissão do Fogaréu e a Procissão do Enterro do Senhor como manifestações complementares. Todas encenam o sofrimento de Jesus Cristo para remissão dos pecados da humanidade e se constituem em procissões penitenciais. [1]

Conforme reza a tradição, a guarda da imagem de Senhor dos Passos e a organização do ato processional ficava aos encargos dos leigos da Irmandade de Nossa Senhora do Carmo, transformada em Associação em 1977. Não é possível datar com exatidão o início da maior romaria de Sergipe, os indícios acenam que tudo começou no final do século XVIII ou início do XIX. Consta que a imagem articulada, chamada de roca, em razão das características constitutivas e mobilidade, foi encontrada no rio Paramopama, afluente do Vaza barris. Nisso, a história da imagem nutre curiosa semelhança com a da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, içada por pescadores do fundo do rio Paraíba, em São Paulo, no ano de 1717. Serafim Santiago escreveu sobre a origem da imagem do Senhor dos Passos:

“Um homem praiano (diziam elles) cujo nome não me lembro encontrou certo dia, rolando pela costa que fica ao sul da cidade, um grande caixão resultado talvez de um naufrágio de alguma sumaca; elle cuidadosamente rolou-o para a terra, abrio-o e surprehendido ficou verificando a existência de uma perfeitíssima imagem de roca em tamanho natural. O homem de educação religiosa muito honesto, tomou uma canoa e nella acomodou o referido caixão, e com outros companheiros transportou para a velha cidade o feliz e milagroso achado. Foi esta sagrada imagem ali entregue aos frades jesuítas carmelitas que collocou em uma capelinha da Egreja – Ordem 3ª. do Carmo, e depois de longos annos, mudada pra o throno do Altar-mór da mesma Egreja. Como sabem, sempre foi no segundo domingo da quaresma, o dia aprasado para effetuar a tradicional Procissão dos Passos na antiga cidade”. [2]

Dessa forma, a imagem de traços europeus teria alcançado seu destino: “A cidade de Sergipe Del Rey” [3], como estava gravado no caixão submerso das águas do Paramopama. A origem das procissões remonta à Idade Média, quando a “peste negra” e a inconstância meteorológica punham em xeque o futuro da humanidade, segundo o imaginário da época. Daí a Igreja Católica promover cortejos de relíquias sagradas, entoando ladainhas a rogar o perdão de Deus. A imagem de roca surge neste contexto para dirimir alguns problemas: o manequim articulado e leve permite montar a iconologia de qualquer santo; era preciso retirar do meio do povo imagens exclusivas de ouro e/ou prata, como também aliviar o peso do andor.

A Procissão do Senhor dos Passos, que acontece na quarta cidade mais antiga do Brasil, sai do Convento de Nossa Senhora do Carmo, no sábado à noite. Depois dos ofícios, o préstito acompanha a imagem até a Igreja de Nossa Senhora da Vitória. O que os romeiros assistem a cada ano é uma espécie de auto dramático, ambulante, barroco, com paradas denominadas “Passos” ou estações da Via Crucis. Entre a massa de fiéis predomina a túnica roxa atada com cordão, à semelhança da imagem, numa forma de compartilhar o sofrimento do nazareno como um cirineu.

As mais variadas promessas já foram cumpridas: um certo Chico Alves, arrastou pesada cruz de Aracaju a São Cristóvão; outro “pagador de promessa” esculpiu livro de madeira, como ex-voto, porque aprendeu a ler e escrever depois de adulto. Aos fiéis que acompanham o ato processional – de joelhos ou “se arrastando que nem cobra pelo chão” – o poeta Elyseu Carmelo lembrou em versos: “Quem de joelhos passa lembrando seu martyrio/ Fá-lo sinceramente seguindo o Redemptor/ Ferido e torturado, do seu calvário à via”.[4]

No domingo, acontece a Procissão do Encontro. O ápice desse ato é o encontro das imagens do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, invocação mariana. Seguindo percurso distinto, a primeira sai da Igreja Matriz ao tempo em que a segunda sai do Convento do Carmo. Milhares de fiéis ganham as ruas e a Praça São Francisco para escutar o sermão e o canto da Verônica que enredam a comovente liturgia do catolicismo colonial.

Os milagres atribuídos ao Senhor dos Passos geraram os ex-votos e resultaram no Museu que hoje ocupa o claustro da Ordem Terceira do Carmo. Ex-voto é abreviatura de “ex-voto suscepto”, frase latina que significa “promessa feita”. [5] Como obras de arte ou prova da graça alcançada, tais objetos elaborados em madeira, parafina, gesso ou barro representam a parte do corpo sobre a qual o promesseiro rogou a intercessão do taumaturgo. No acervo do Museu dos Ex-votos, aberto a visitação pública de domingo a domingo, podemos encontrar os mais enigmáticos símbolos da fé cristã.

No passado, São Cristóvão foi centro político e religioso da Capitania de Sergipe Del Rey. Esse antigo centro de convergência religiosa preserva manifestações culturais do período colonial, como a Procissão de Senhor dos Passos.


*Thiago Fragata - Historiador e poeta, diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS/Secult). Email: thiagofragata@gmail.com Artigo publicado em VIEIRA, Márcio José Garcez. Senhor dos Passos em todos os passos. Aracaju: Gráfica J. Andrade, Banco do Nordeste, 2006, p. 21-25. É um dos textos que compõe a coletânea “São Cristóvão respostas a esfinge do tempo”, que aguarda publicação.

NOTAS DE PESQUISA

[1] TINHORÃO apud NUNES, Verônica. São Cristóvão mantém tradição religiosa. Gazeta de Sergipe. Aracaju, n. 12927, 27/2/2002, p. C4.
[2] INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SERGIPEE, Aracaju. Annuario Christovense, de Serafim Santiago, 1920. p. 19verso e 20. Manuscrito.
[3]Idem.
[4] ARQUIVO GERAL DO JUDICIÁRIO DE SERGIPE, Aracaju. Sabbado de Passos, 18/2/1940. Diário de Elyseu Carmelo. Manuscrito.
[5] KARWINSKY, Esther Sant’Anna de Almeida. Ex-votos: confrontos entre o popular e o científico – uma forma milenar de comunicação de massa. Anais do Encontro Cultural de Laranjeiras. Aracaju, Governo do Estado de Sergipe, 1994, p. 317.  

SABER MAIS DA PROCISSÃO
SABER MAIS DO MUSEU DOS EX-VOTOS

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SOBRE UM ANTIGO CARNAVAL NO PAÇO DE SERGIPE




Serafim Santiago (1860/1932) escreveu o Anuário Christovense no início do século XX. O manuscrito esteve durante muito tempo à disposição dos pesquisadores no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), em Aracaju. No ano de 2009, a obra foi publicada pela Universidade Federal de Sergipe. O livro de memórias retrata São Cristóvão, suas festas e seu povo, no evolver do século XIX e inicio do XX.



QUEM FOI SERAFIM SANTIAGO?

Memorialista e funcionário público. Filho de José Florêncio e Umbelina Santiago. Nasceu em São Cristóvão a 4 de janeiro de 1859 e faleceu no mesmo município a 1º. De setembro de 1932. Casou-se com Sara em 25 de junho de 1887. Foi pai de 9 filhos (7 são citado no anuário: João B. Santiago, Benjamin, Serafim de Santiago Junior, Francisca Xavier de Santiago, Umbelina Santiago Prudente, Anita, Pedro). Mudou-se para Aracaju em 29 de junho de 1887, onde exercera o funcionalismo público. Aos 60 anos, começou a escrever as memórias sobre a vivencia em São Cristóvão que resultariam no mais rico e inédito depoimento sobre a cultura sergipana do final do século XIX até as primeiras décadas do século XX.  

Entrudo no Rio de Janeiro. Aquarela de Augustus Earle, c.1822

O QUE ELE CITA DO CARNAVAL QUE ENVOLVE O PRÉDIO DO MHS?


Até a Mudança da Capital, de São Cristóvão para Aracaju, fato ocorrido em 17 de março de 1855, o sobrado onde funciona o Museu Histórico de Sergipe serviu de Palácio Provincial, ostentando inclusive o brasão imperial, por aproximadamente 30 anos (1825/1855). Houve um Presidente da Província, denominação para Governador a época, que realizou a brincadeira do entrudo nas dependências do Palácio Provincial. Nome do Governador? Silencia o velho Apolinário José Moura de quem Serafim Santiago ouviu o fato pitoresco.

Museu Histórico de Sergipe, antigo Palácio Provincial de Sergipe. Foto: Marcelle Cristinne (ASCOM/SECULT)

ENTRUDO NO ANTIGO PAÇO DE SERGIPE SEGUNDO SERAFIM SANTIAGO (1859/1932)

“Estas festas que outrora se chamavam Entrudo, hoje tem o nome de Carnaval, época do prazer, que não podia deixar de ter também os seus dias consagrados. A Mitologia criou uma boa porção de deuses, especializando Momo, o deus da sátira e do riso, que, desprezando todas as desgraças e tristezas, veio se confundir em meio ao bacanal encarnada nesse outro deus – Baco – que representa o vinho, a loucura fantástica, enfim. As festividades obscenas de Roma, as saturnais, festas de uma torpeza inominável, consagradas ao culto de Saturno, deixaram no mundo romano as mais asquerosas tradições porque emblemavam o cúmulo da fraqueza humana, as paixões mais vergonhosas e instintos mais aproximados da bestialidade. Quanto ao entrudo, este estúpido divertimento ali usado por longos anos, sua origem vem da falsidade, traição e emboscadas. Com tudo, os cristovenses tornavam-se loucos com tal divertimento, por não ali conhecido o Carnaval, este que o povo atualmente abraça cegamente para esquecer as contrariedades da vida, procura “evoés e você me conhece?” o esquecimento dos atrasos comerciais, dos abalos morais, etc. Em São Cristóvão o atraente divertimento do Entrudo no Domingo Gordo ou Quinquagésima, há longos anos passados, chegou sua influência até o Palácio Presidencial. Tivemos na antiga cidade, um Presidente tão influído, que no referido Domingo do Entrudo, recebia os amigos e correligionários com a mesma franqueza e amabilidade do costume, usando com toda a sinceridade, a falsidade que exige o falso e traidor divertimento, mandando agarrar os amigos e visitantes, vestidos decentemente, e mergulhavam numa grande bacia cheia de água bem perfumada que se achava oculta. Esta narração ouvi repetidas vezes pelo meu velho amigo Apolinário José Moura. De muitas mortes até ainda hoje me recorda, todas as conseqüências do mal entendido divertimento, assim como muitas desconfianças de amizades de famílias cristovenses. Até o ano de 1912, não era usado o carnaval em São Cristóvão, sendo que no referido ano, este festejo foi feito ali com verdadeiro esmero e grande entusiasmo. Como em tempo remoto era muito respeitada a religião do Calvário, o estúpido divertimento (o entrudo) só terminava por completo, às 8 horas da noite de terça-feira de entrudo, quando ouvia-se dobrar o sonoro e grande sino de São Francisco, anunciando aos fiéis a entrada da quaresma no dia seguinte (quarta-feira de Cinzas)”. 



*Thiago Fragata é poeta e historiador, diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS/SECULT). Email: thiagofragata@cultura.se.gov.br

FONTES DA PESQUISA
SANTIAGO, Sant’Iago. Annuario Christovense ou Cidade de São Christovão. São Cristóvão: Editora da UFS, 2009, p. 177-178. 
Sobre ENTRUDO

domingo, 2 de fevereiro de 2014

MHS RECEBE EXPOSIÇÃO "OFENÍSIA FREIRE: 100 ANOS"


Na próxima quarta (5/2), O Museu Histórico de Sergipe, unidade da Secretaria de Estado da Cultura, apresentará a itinerante exposição “Ofenísia Freire: 100 anos”, lançada oficialmente no dia 8 de janeiro, no Palácio Museu Olímpio Campos, em Aracaju.
A história de Ofenísia Soares Freire (1913/2007) inspira e orgulha Sergipe. Uma mulher de idéias e ações à frente do seu tempo, mestra, militante política, escritora e acima de tudo um exemplo, que inspirou - e continua inspirando - várias gerações sergipanas, sobretudo aqueles que foram alunos do Colégio Atheneu Sergipense, onde a professora lecionou por muitos anos.
Por reconhecer a importância de Ofenísia Freire, seja como educadora ou como expoente intelectual e político, o Governo do Estado montou uma programação voltada a homenagear o centenário da mestra, que, caso estivesse viva,  teria completado 100 anos no dia 6 de dezembro do ano passado. O governador de Sergipe, Jackson Barreto, idealizador das homenagens, e ex-aluno da professora, disse se sentir honrado em poder prestar tais homenagens à intelectual.
“Quis o destino, com essas coisas que preparam para a vida da gente, que eu fosse governador do Estado no ano do centenário de Ofenísia, um ex-aluno, admirador e amigo daquela velha companheira da Rua de Boquim, nº 457. Ofenísia representa a história das mulheres sergipanas, das guerreiras deste estado, como professora, intelectual e militante política. Era uma mulher tão corajosa, que no processo de redemocratização do Brasil, após a ditadura de Vargas, foi candidata a deputada estadual pelo Partido Comunista Brasileiro. Uma mulher antenada, à frente do seu tempo”. Ele salientou ainda, que as homenagens não ocorreram na data adequada, 6 de dezembro de 2013, devido ao falecimento de Marcelo Déda à época.

EXPOSIÇÃO E DOCUMENTÁRIO

A exposição em homenagem a Ofenísia Freire que todos poderão prestigiar a partir de quarta, 5/2, no Museu Histórico de Sergipe, em São Cristóvão, é composta por três núcleos temáticos. O primeiro, 'Caminho da vida', revela desde as informações sobre o seu nascimento até o seu falecimento, por intermédio de uma linha do tempo. O segundo, 'Ofenísia e a arte', apresenta parte da sua coleção particular de obras de arte, predominantemente composta de artistas sergipanos. O terceiro destaca as homenagens concedidas à 'Mestra de Todos Nós', com medalhas, condecorações e placas que recebeu ao longo da vida.
A secretária de Estado da Cultura, Eloisa Galdino, disse que a homenageada representa todas as mulheres por sua história de luta que a levou inclusive a ocupar um espaço político num tempo difícil. "Estamos fazendo aquilo que o nosso saudoso governador Marcelo Déda sempre fez, que é a recuperação e a preservação da nossa memória", afirmou a secretária, acrescentando que a exposição será fonte de pesquisa para os alunos da rede pública estadual: "Aqui eles visitarão, daqui essa exposição sairá itinerante por escolas públicas do nosso estado".
O documentário que traz depoimentos sobre a homenageada e passagens importantes de sua vida. Produzido pela Fundação Aperipê, dirigido por Everlane Moraes, o vídeo integra a exposição e será apresentado em escolas da rede pública de ensino.

SOBRE A HOMENAGEADA

Ofenísia Soares Freire nasceu em 06 de dezembro de 1913, em Estância. Mudou-se para Aracaju nos anos 1930 e, a partir daí construiu uma biografia como professora, militante política e intelectual. Lecionou Língua Portuguesa e Literatura em colégios públicos e particulares, a exemplo do Atheneu e do Tobias Barreto.
Casada com Filemon Franco Freire, funcionário público, Diretor do Tesouro do Estado no Governo de Seixas Dória, Ofenísia Freire alternou as atividades do magistério com a militância política. Filiada ao PCB, engajada no processo de redemocratização do País, candidatou-se em 1947 a deputado estadual. Com o PCB proscrito e seus militantes na clandestinidade, Ofenísia Freire voltou-se à cátedra.
À época do movimento militar de 1964, Ofenísia integrava o Conselho Estadual de Educação, quando teve seu mandato extinto e foi afastada do magistério do Atheneu.
Já aposentada e viúva, passou a dedicar-se a atividades intelectuais, tomando parte em conferências e debates e integrando instituições culturais, como a Academia Sergipana de Letras, para a qual foi eleita em 1980, na vaga do poeta Abelardo Romero. Também em 1980 publicou seu livro A Presença feminina em Os Lusíadas (reeditado pela Edise/Segrase em 2013). Foi membro do Conselho Estadual de Cultura, Secretária Municipal de Cultura, na gestão José Carlos Teixeira (1985), e Vice Presidente da Academia Sergipana de Letras. Faleceu em 24 de julho de 2007.



SABER MAIS:

sábado, 14 de dezembro de 2013

MONÓCULO MHS - GRUPO DE POESIAS IÑARON - 1 OUT 1992

Monóculo 
Dentre a variedade de objetos que compõem o acervo do Museu Histórico de Sergipe consta uma grande coleção de fotos do século XX. Maioria revela acervos e personalidades. Um trabalho de catalogação foi iniciado este ano com promessa que possa ficar disponível para pesquisas. Todo o acervo será submetido à limpeza, fichamento, digitalização e acondicionamento, sendo que a identificação demanda tempo e pesquisas. 



Para revelar a importância do acervo e especialmente dos eventos realizados pelo Museu Histórico de Sergipe, unidade da Secretaria Estadual de Cultura, ou com o seu apoio é que lançamos o post Monóculo em alusão ao objeto antigo que trás um cromo fotográfico semitransparente no seu interior.

Danilo Nascimento, estagiário, manuseando acervo fotográfico MHS

GRUPO DE POESIAS IÑARON NO MHS - 1 OUT 1992

Reproduzimos a seguir foto da apresentação que o Grupo de Poesias Iñaron realizou no Museu Histórico de Sergipe no dia 1º. de outubro de 1992. Vemos Andrea Vilela e Iêda Maria Leal Vilela e Carlos Roberto da Silva (Carlos Cauê) na Sala Horácio Hora num instante de aplausos do festejado recital.

Grupo Iñaron de Poesias no MHS, 01/10/1992
FOLDER IÑARON