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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

LIVRO DE POESIAS DEDICADOS A SÃO CRISTÓVÃO SERÁ LANÇADO NO MUSEU


Capa do livro. Foto: divulgação

Na próxima sexta, (22/12), às 17 horas, o Museu Histórico de Sergipe será o palco do lançamento do livro São Cristóvão, nas letras das poesias de minha infância, uma coletânea de alunos do 5. Ano (poetinhas!) do Escola do Lar Imaculada Conceição (ELIC). A escolha da instituição é mais que simbólica, desde abril de 2011, o diretor do Museu, Thiago Fragata, incentiva a prática das rodas de leituras junto as redes particular e pública de ensino. 

Nos últimos 4 anos foram realizados 24 eventos de "literação" (rodas, saraus, intervenção), ou seja, uma média de 6 por ano. O Museu Histórico de Sergipe realizou 5 rodas de leituras temáticas em 2014. As ações educativas envolve contadores convidados e alunos das escolas da região, inclusive de Aracaju. O museu deve consolidar seu compromisso com a Educação através do seu acervo e de suas ações junto a comunidade, pois ensinar/aprender é um processo que está presente na visita a instituição. Mas porque fazer do museu um lugar de estimulo a leitura e literatura? Em 2012 a cidade de São Cristóvão teve o pior IDEB (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) dos 75 municípios de Sergipe. 

Os poetinhas que irão autografar seu livro 
Os poetinhas que irão autografar São Cristóvão, nas letras das poesias de minha infância na próxima sexta, 26/12, participaram da Roda de Leitura "Sabores de São Cristóvão, em março deste ano, junto com a Professora Cleide Oliveira. (click)

Para o Museu Histórico de Sergipe que recebeu estes poetinhas no dia 28 de março, na Roda de Leitura "Sabores de São Cristovão", que acreditou no compromisso da Professora Cleide Oliveira, de todos que fazem o ELIC, a boa nova é fruto de uma árvore que ajudou a semear.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Cacique Apolônio participará da Roda de Leitura Índio Cidadão

Cacique Apolônio representa o índio sergipano
O Cacique Apolônio da tribo xocó, embaixador do único povo indígena de Sergipe, apresentador do programa "A voz do índio", da rádio Aperipê AM, confirmou sua presença na Roda de Leitura "Índio Cidadão", na próxima quarta, 30/4, 14 horas, no Museu Histórico de Sergipe. O povo xocó vive na Ilha São Pedro, de Porto da Folha, em Sergipe.

Dentre a seleção de textos memoráveis que serão apresentados consta o poema De Gestis Mendi de Saa (1563), de Frei Anchieta. O jesuíta espanhol que no século XVI catequizou índios, fundou a cidade de São Paulo, foi canonizado pelo Vaticano recentemente. O trecho selecionado trata do massacre do Bispo Dom Pero Fernandes Sardinha, devorado pelos índios caétes em 1556, na costa de Coruripe, atual Alagoas. Pela incitação que faz a violência, a peça que homenageia o Governador Mem de Sá, contribuiu para decisão da Guerra de Conquista, contra os índios, que resultou na fundação da Capitania de Sergipe D'El Rey no ano de 1590.

Tela de Benedito Calixto de Jesus (1853-1927) que retrata Anchieta escrevendo seus poemas na areia

SABER MAIS:
Roda de Leitura Índio Cidadão
Frei Anchieta

sábado, 14 de dezembro de 2013

MONÓCULO MHS - GRUPO DE POESIAS IÑARON - 1 OUT 1992

Monóculo 
Dentre a variedade de objetos que compõem o acervo do Museu Histórico de Sergipe consta uma grande coleção de fotos do século XX. Maioria revela acervos e personalidades. Um trabalho de catalogação foi iniciado este ano com promessa que possa ficar disponível para pesquisas. Todo o acervo será submetido à limpeza, fichamento, digitalização e acondicionamento, sendo que a identificação demanda tempo e pesquisas. 



Para revelar a importância do acervo e especialmente dos eventos realizados pelo Museu Histórico de Sergipe, unidade da Secretaria Estadual de Cultura, ou com o seu apoio é que lançamos o post Monóculo em alusão ao objeto antigo que trás um cromo fotográfico semitransparente no seu interior.

Danilo Nascimento, estagiário, manuseando acervo fotográfico MHS

GRUPO DE POESIAS IÑARON NO MHS - 1 OUT 1992

Reproduzimos a seguir foto da apresentação que o Grupo de Poesias Iñaron realizou no Museu Histórico de Sergipe no dia 1º. de outubro de 1992. Vemos Andrea Vilela e Iêda Maria Leal Vilela e Carlos Roberto da Silva (Carlos Cauê) na Sala Horácio Hora num instante de aplausos do festejado recital.

Grupo Iñaron de Poesias no MHS, 01/10/1992
FOLDER IÑARON 



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Noite de poesia no MHS

Poetisa Maria Gloria marcou presença no evento


"Museu lembra musa, lugar de poesia e música", diz o cancioneiro. O Museu Histórico de Sergipe concorda e por iniciativa da Associação de Cultura Amigos do Museu Histórico de Sergipe (ACAMHS) transformou a reunião festiva de 25/10, quinta, no I Sarau Poetas de São Cristóvão.

O I Sarau Poetas de São Cristóvão reuniu em noite chuvosa luminares do verso e amantes da musa que se esconde na quarta cidade mais antiga do Brasil. Foi no Museu Histórico de Sergipe, noite de 28 de setembro, no trascorrer da semana dedicada a poesia. Os versos dos sancristovenses Maria Rita, Thiago Fragata, Manoel Ferreira, Maria Gloria, Irênio Raimundo, Hélio Santos e de outros poetas (Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e outros) foram interpretados pelos presentes que curtiram a poesia inédita cantada por Ézio Sant's "sambacidade".

Segue imagens e poesias que enriqueceram o evento realizado pela Associação Cultural Amigos do Museu Histórico de Sergipe (ACAMHS).


Estudante Reinaldo Gonçalves estreou seus versos

Jovem poeta Reinaldo Gonçalves atendendo ao chamado da musa declamou seus versos inéditos inspirados em Augusto dos Anjos, seu ídolo confesso:

ONDE ESTA MINHA AMADA?

Reinaldo Gonçalves 

Estava eu no vazio da minha existência
Olhava-me no espelho da melancolia
Não via nada além da escuridão
Nada que pudesse trazer seu sorriso

Prefiro amar a morte ao invés de amar a sombra
A minha única companheira
Oh! Amada! Vem matar minha sede
Preencher meu vácuo
Trazer-me de volta ao mundo dos vivos

Traga-me aquela ingrata que perdi junto contigo
Oh! Como é dolorido não ser imortal
Apenas a esperança de sentir seu perfume
Faz-me ser um louco apaixonado pelo tempo
Tenho seu doces lábios tatuados na minha boca

Tenho a eternidade ao meu favor
Se for para desprezar-me
Despreza-me nos teus braços
Vem! Hoje você trará a minha pobre alma?

Hoje os vermes sorriram para mim
Já sinto seu perfume na minha sepultura
Sinto-me vivo com tua morte.


Poetas sancristovenses distantes tiveram versos declamados

O historiador e poeta Thiago Fragata considerou o Hino de São Cristóvão, de Etelvino de Oliveira, uma peça poética. Ele lembrou os poetas migrados (Hélio Santos, José Sacramento, Luiz Melo) e recitou seu último verso (Parabellum, para Belo Monte!)



HINO DE SÃO CRISTÓVÃO

Etelvino de Oliveira 

Menina dos meus olhos
São Cristóvão dourada
Terra extremosa
Terra consagrada
Venho ajoelhar-se
Pedindo consolação
Oh! Terra berço querido
Recebe o seu coração.

Rainha destronada
Outrora majestade
Silêncios implora
Que volte a capital.

Seu rio vagaroso
Magoando a Imperatriz
Lento tortuoso
Beijando o Vaza-Barris
Oh! Paramopama querido
Seu rumor é uma canção
Amando o seu abrigo.



PARA BELLUM, PARA BELO MONTE!
Thiago Fragata



Xingu, Belo Monte, usina?

Governo quer usina assassina para Belo Monte
Índios parar a usina do homem branco! brada Raoni
Kararao! Pára Belo Monte, para bellum...
Deus, Oxalá, Tupã, parem Belo Monte, para bellum...

Si vis pacem, para bellum – Se queres paz, prepara-te para guerra!


Raoni é cacique Kaiapó

de borduna em riste invoca Sting
Sting estica o seu arco:
sting, sting, sting, sting... stang!
Dorothy Stang
Stang descansa em paz
E Belo Monte não pára
Deus, Oxalá, Tupã, parem Belo Monte, para bellum...

Si vis pacem, para bellum – Se queres paz, prepara-te para guerra!


São 16 etnias em perigo

Índios em perigo desde sempre
Na vida e no mundo do homem branco
Quem disse que o mundo é do homem branco?
Então dança para guerra
Missão: parar Belo Monte
Porque Belo Monte não pára
E Belo Monte não pára
Deus, Oxalá, Tupã, parem Belo Monte, para bellum...

Si vis pacem, para bellum – Se queres paz, prepara-te para guerra!


Kararao é grito de guerra kaiapó!




Alessandra Brasil recitou poesia de Irênio Raimundo
Poesia de Irênio Raimundo foi festejada pelo público, Alessandra Brasil leu suas belas poesias.


LIBERDADE
Irênio Raimundo



Nas asas da liberdade voei pra perto do céu
Do azul do infinito vi terra como é
Com silhueta delicada
E com jeito de mulher.

Liberdade sem censura
Sem violência ou pudor
Sem vel cortina ou mentiras
Sem discriminação, sem rancor.

Liberdade para ir
Liberdade para vim
Liberdade para crer
Liberdade pra sorrir

Liberdade pra falar
Liberdade para ouvir
Liberdade para amar
E até pra ser feliz.


Versos de Manoel Ferreira ecoaram pelo MHS

O Presidente da Associação Cultural, Neverton Crus, tomou os versos de Manoel Ferreira como uma ode a São Cristóvão.


CIDADE DE SÃO CRISTÓVÃO

Manoel Ferreira
 
Idosa, risonha e tranquila
Nascida pertinho do mar
Vem para o alto da colina
E aí decide morar.

Vento que sopra, ar temperado
Jovens e crianças expressando alegria
Monjas, freiras e frades
Cidade abençoada, consagrada a Maria.

Querida e linda São Cristóvão,
Guardando sonhos e percalços
Lembrando-se dos dias de glórias
Vívidos em épocas passadas.

Recanto privilegiado da pátria
Favorecido de valioso acervo;
Monumentos, templos sagrados
E bem organizados museus.

Aos que legaram a cidade
Saudosas recordações,
Deus bondosamente os guarde,
Lá na terna mansão.

Brota da alma inquieta
Imenso e profundo ardor,
Quais brados em dias de festa
Louvando e glorificando o Senhor.



Eliene Marcelo leu versos de Hélio Santos

Hélio Santos mora no Ceará há décadas, visita sua cidade natal, São Cristóvão, nas férias. Diz que vem buscar força, inspiração, iluminação. Eliene Marcelo compartilhou uma obra emocionante da lavra do poeta.
 
PÉROLAS DO PASSADO
Hélio Santos


Certas coisas na minha memória

De momentos tão bonitos eu vivi
Da tristeza que carrego agora
Foi saudade quando tive de partir.

Lembro o trem à lenha “Maria Fumaça”

Apitando ao passar na estação
Dos brinquedos no Natal ali na praça
Das manhãs passado o vendedor de pão.

São Cristóvão meu abrigo só eu sei qual a razão

Pra levar sempre comigo dentro do meu coração
São Cristóvão eu não consigo disfarçar minha emoção
Encontrar velhos amigos quando piso no seu chão.

Quantas vezes eu vaguei na madrugada

Violão com os amigos pra tocar
Minha mãe ficava em casa acordada
Esperando até a hora d’eu voltar.

E a cidade foi ficado diferente

Do passado que sempre vou me lembrar
Das pessoas que se foram de repente
Muitas delas sei que nunca irão voltar.
De outras terras muitos vem pra visitar


Seus encantos professar sua devoção
Nas igrejas sempre abertas pra rezar
Na quaresma tem a grande procissão.
Guarda história suas ruas tortuosas

Num museu a céu aberto se tornou
Já foi palco de personagens famosas
Que o herói “João Bebe-Água” consagrou. 



GALERIA DE IMAGENS  

Todos atentos aos versos


público do I Sarau Poetas de São Cristóvão
Ézio Sant's e seu violão lembraram pérolas da música sergipana
ACAMHS fez nascer poesia da sua reunião de agentes culturais
Ezio Sant's cantou "sambacidade", sua composição inédita
Performance de Maria Gloria encantou a todos
Denize Santos leu mais versos de Irênio Raimundo
Denise Santiago, contadora dedicada de São Cristóvão

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Freire Ribeiro e a cidade musa-museu

Freire Ribeiro, crayon de Florival Santos, SD
Acervo do MHS


Thiago Fragata*

O poeta João Freire Ribeiro nasceu em Aracaju em 4 de setembro de 1911 e faleceu em 24 de janeiro de 1975. Foi durante anos o diretor técnico da Biblioteca Pública Epifanio Dória.[1] Freqüentou São Cristóvão a partir da década de 1950 incentivado pelos amigos José Calasans, Lauro Barreto Fontes, agente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e do sancristovense José Augusto Garcez.

Tinha na cidade colonial um elo sentimental que união o poeta a sua musa. Confessava que a cidade respirava poesia e chegava a dormir em seus templos a fazer boemia pelas ruas e praças a espera da inspiração. “O vate amou e exaltou a velha cidade”, reconheceu Arivaldo Fontes, não por acaso doou acervo para compor o Museu Histórico de Sergipe e dedicou-lhe a obra São Cristóvão de Sergipe D’El Rei, publicado em 1971.[2] A poesia “Museu”, dedicada ao Governador Luiz Garcia, emoldura as páginas que merecem reedição.


MUSEU



Penetro o Museu
No belo Palácio!...
Bagnuolo me fala
De luta sangrenta
Que a História aviventa!

Feroz mortandade
As tropas de Holanda
Brigando nas ruas
Da nobre cidade!
Labatut, vai comigo...
Brigadeiros, barões!...
Dom Pedro Segundo
Outrora bailando
De barbas bem loiras,
Nos grandes salões!

Esculturas em pedra
- tesouros achados
Na terra enterrados
Num velho convento,
- ruína sagrada,
Sem frades, sem santos,
No templo ultrajado!

Cadeirinha mimosa...
Onde negros escravos
Chegados do Congo?
Cadeirinha saudosa
De linda Senhora,
De langue Donzela
De cor duma estrela
Nas montras da aurora!

Brazão esplendente
Brasil refulgente
Aos olhos do mundo
Nos fastos do Império
Com Pedro Segundo!

Um Cristo, obra-prima.
- imagem sombria
Sem braços, penando,
Em chagas sangrando
Numa imensa agonia!

A tarde, lá fora,
Em luz se desfaz:
São Cristóvão é um ninho
De sonho e de paz!...

Cachimbos, taieiras,
Ferrenhos punhais
Dos cãibras do Norte
Instrumentos terríveis
De cenas de morte!

Canhões de outras eras
Com limos de glória,
Dormindo, caducos,
Nas noites da História!

Pistolas, espadas
Mil bravos lembrando
Cocares e bestas
Com arcos de índios
Nas paredes pousando!

Horácio, presente
Nos quadros eternos
Da nossa pintura!

Cenário ameríndio:
Em tela gigante
Cecília dormindo
Em selvagem piroga,
Em doce postura
À sombra do índio!

Régias camas vazias
Com lindos brocados,
Recordando mil noites
Com corpos amados!...

A cama é um ninho,
Uma breve pousada
Do corpo que espera
A viagem do nada!...

Num pátio mouruno
Do lindo Palácio
Revejo, sonhando,
Pepita Tangil,
Uma flor espanhola
Em desterro morrendo
Em Sergipe, Brasil!

Espanha presente
No belo Palácio
Mouruna gitana
Aparece aos meus olhos!
Vem com flor e mantilha
Bailando ao compasso
De flauta encantada
Solando a saudade
Da Arábia em Sevilha!...

As sombras me falam,
Os mortos me chamam!
A tarde é lá fora
Em sanguínea agonia
Uma rosa dorida!
O Palácio está cheio
De vultos fugidos
Das cenas da vida!

A vida, me chama!
São Cristóvão cintila
Num lindo poente
De púrpura e ouro
Na tarde tranqüila!

Adeus, São Cristóvão!

Adeus, Bebe-Água!
Visão aparece
À luz dos meus olhos,
De barbas ao vento:
Frei Luiz do Rosário
Olhando a cidade
Dum velho Convento!

Um sino plangendo
No bojo da tarde,
Meu sonho desfaz!

Um sino, que brônzeo
No tempo, soletra
Os nomes queridos
Dos mortos, vivendo
Nos Reinos da Paz![3]



*Thiago Fragata é graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em História Cultural pela mesma universidade, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), membro do Grupo de Estudos História Popular do Nordeste (GEHPN/CNPq) e diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS). E-mail: thiagofragata@gmail.com
NOTAS
[1] BRASIL, Assis (org.). A poesia sergipana no século XX: antologia. Rio de Janeiro: Imago; Aracaju: SEED/SE, 1998, p. 74.  
[2] FONTES, Arivaldo Silveira. Freire Ribeiro e São Cristóvão. __. In: Figuras e fatos de Sergipe. Porto Alegre: Ed. CFP SENAI, 1992, p. 36.
[3] RIBEIRO, João Freire. São Cristóvão de Sergipe D’El Rey (Poesias), S/Ed, 1971, p. 21-25.