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domingo, 14 de dezembro de 2014

Comissão para a gestão da Praça São Francisco será instalada em São Cristóvão (SE)

Convento São Francisco, São Cristóvão/SE. Foto: Adilson Andrade, 2014

No próximo dia 16 de dezembro, às 10 horas, na Casa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em São Cristóvão, será instalada a Comissão Gestora da Praça São Francisco, composta por representantes do IPHAN, do Estado de Sergipe, do Município de São Cristóvão e da sociedade civil.

O diretor do Museu Histórico de Sergipe, Thiago Fragata,  foi convidado para  integrar a importante comissão. Ele foi Coordenador da Comissão Pró-candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade e recebeu em 2011 a ordem do Mérito Aperipê pelos relevantes serviços prestados a esta causa. Seu trabalho mais recente relacionado ao tema foi o CD-Rom "Cronos on line: catálogo digital da Campanha da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade (2005/2010)", lançado no último dia 5 de dezembro na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.   

A criação atende às recomendações do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO para o estabelecimento de um sistema de gestão do sítio, tendo como base a legislação vigente e a regulação territorial da cidade. A Praça São Francisco foi inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO na reunião de Brasília, em 01 de agosto de 2010, e representa a fusão de padrões urbanísticos do período da União das Coroas portuguesa e espanhola, mantendo íntegro um ambiente em que, além da arquitetura significativa, se praticam manifestações culturais tradicionais como a Procissão de Passos.

No último dia 13 de novembro, foi assinado Termo de Cooperação Técnica entre o IPHAN, o Estado de Sergipe e o Município de São Cristóvão que visa o gerenciamento compartilhado do sítio, no espírito que preside a construção do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural, que busca estabelecer diálogo e articulação entre as três esferas de governo para a gestão do Patrimônio Cultural no país.

Caberá à Comissão elaborar, aprovar, implementar e avaliar o Plano de Gestão da Praça São Francisco; fomentar a ação compartilhada entre os três entes públicos e a sociedade civil, para a implantação desse Plano de Gestão; assegurar e fomentar a participação comunitária no processo de gestão da Praça São Francisco e do seu entorno imediato; estabelecer e implementar um sistema de monitoramento, de longo prazo, para a conservação do sítio; dar apoio às ações que visem identificar, proteger e conservar os bens que compõem a Praça São Francisco e seu entorno imediato; promover uma maior coordenação das ações públicas e privadas que venham a ocorrer no sítio, contribuindo para a sua preservação e valorização.

A instalação contará com a presença de autoridades locais, dos membros titulares e suplentes da Comissão Gestora da Praça São Francisco, além de representantes da Assessoria de Relações Internacionais do IPHAN, bem como do IPHAN em Goiás, que participarão também da primeira reunião desta comissão. No mesmo dia, ainda será realizado o Seminário Desafios para a gestão de um bem do Patrimônio Mundial após o seu reconhecimento, que acontecerá na Casa do IPHAN em São Cristóvão das 14h às 17h e é aberto ao público. 

SABER MAIS:



quinta-feira, 13 de março de 2014

MUSEU É PALÁCIO PROVINCIAL NA FESTA DO SENHOR DOS PASSOS

Fiéis e autoridades acompanham encontro das imagens santas. Foto: Tito Garcez, 2011


Na segunda quinzena da Quaresma acontece a Festa de Senhor do Passos, em São Cristóvão, há pelo menos 2 séculos. Além dos diversos ritos da homília católica, o evento é marcado por 2 grandes procissões: uma dedicada ao Senhor do Passos (Procissão Penitencial), que ocorre na noite do sábado; e a procissão do Encontro, quando dois préstitos chegam a Praça São Francisco portando as imagens do Senhor do Passos e da Nossa Senhora das Dores. A multidão se comprime em todos os cantos da referida praça para acompanhar o sermão e o canto da Verônica. Nos dias do evento  a cidade se transforma na "Meca" dos católicos.

Todo domingo de Passos o Museu Histórico Sergipe sofre uma transformação: retorna sua condição de Palácio Provincial (1825/1855). Quando São Cristóvão era capital, Governador e correligionários convidados assistiam da sacada o principal momento da Procissão do Encontro.

Dada a importância  do momento é que o Museu Histórico de Sergipe não cumprirá seu expediente no sábado e domingo, dias 15 e 16 de março, assim pede a compreensão de todos os fiéis.  

Procissão dos Passos na Praça São Francisco. São Cristóvão, primeira metade do século XX

domingo, 13 de outubro de 2013

Cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco acontece na quinta, 17/10


O novo Cine Brasília, na capital federal, será o palco para a cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. A festa de premiação no dia 17 de outubro, a partir das 19h, reunirá os oito vencedores de seis estados brasileiros (Pará, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e São Paulo). Cada um receberá R$ 20 mil e uma placa comemorativa como reconhecimento pelas ações que desenvolvem em prol da preservação, valorização e divulgação do Patrimônio Cultural Brasileiro.  

A premiação criada em 1987 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), celebra, em 2013, os 120 anos de nascimento do modernista Mário de Andrade que, em 1936, a pedido do então ministro da Educação, Gustavo Capanema, elaborou o anteprojeto de lei que resultou na organização jurídica da proteção do patrimônio cultural brasileiro e na criação do atual IPHAN. A cerimônia contará também com show de José Miguel Wisnik, Ná Ozzetti e Banda.

Os vencedores foram selecionados, em agosto, pela Comissão Nacional de Avaliação. Os jurados foram unânimes em afirmar que é extremamente gratificante participar da avaliação dos projetos porque, mais que premiar os selecionados, o processo permite conhecer a diversidade da cultura brasileira e as mais variadas atividades de resgate da memória nacional e de divulgação, valorização e preservação do Patrimônio Cultural. Este ano, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade recebeu 233 inscrições em todo o país, sendo que 76 foram as finalistas da etapa nacional.

Na edição 2013, os vencedores nacionais de cada categoria são os seguintes:

• Patrimônio Material: Bens Imóveis e Paisagens Naturais e Culturais
Ação: Coleta, catalogação, higienização e montagem de fragmentos de azulejos da residência Victor Maria da Silva.
Proponente: Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação - Lacore/UFPA
Estado: Pará

• Patrimônio Material: Bens Móveis e Acervos Documentais
Ação: Centro de Memória Dorina Nowill
Proponente: Fundação Dorina Nowill para cegos
Estado: São Paulo

• Patrimônio Imaterial
Ação: Museu do Patrimônio Vivo de João Pessoa
Proponente: Coletivo Jaraguá
Estado: Paraíba

• Patrimônio Arqueológico
Ação: Circuitos Arqueológicos: Práticas Sociais da Arqueologia na Chapada Diamantina - Bahia
Proponente: Carlos Etchervarne
Estado: Bahia

Museu Histórico de Sergipe, unidade da SECULT, será premiado 

• Políticas Públicas, Programas e Projetos Governamentais
Ação: Programa educativo do Museu Histórico de Sergipe - 2010-2012
Proponente: Museu Histórico do Sergipe
Estado: Sergipe

• Responsabilidade Social
Ação: Museu da Gente Sergipana - projetos e exposições
Proponente: Instituto Banese
Estado: Sergipe

• Comunicação e Mobilização Social
Ação: Povos Indígenas no Brasil
Proponente: Instituto Socioambiental
Estado: São Paulo

• Ações Educativas
Ação: Mané Gostoso e o Vaivém do Lúdico
Proponente: Centro de Criação Galpão das Artes
Estado: Pernambuco


MARIO DE ANDRADE E RODRIGO MELO FRANCO DE ANDRADE 

Muitos intelectuais, escritores e artistas colaboraram para consolidar a ideia de uma instituição voltada para a preservação do patrimônio cultural no Brasil entre os anos 1920 e 1930, entre eles Rodrigo Melo Franco de Andrade, Mario de Andrade, Lucio Costa, Carlos Drummond de Andrade, Sergio Buarque de Holanda e Manuel Bandeira. O Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, em 1936, solicitou a Mário de Andrade a elaboração de um ante-projeto de lei para a organização jurídica da proteção do patrimônio cultural brasileiro e a criação do IPHAN. A partir deste trabalho, sob a coordenação de Rodrigo Melo Franco de Andrade, a instituição foi criada pela Lei Nº 378, de 13 de janeiro de 1937. Em 30 de novembro de 1937 é promulgado o Decreto-Lei Nº 25, que “organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional” e institui o instrumento do tombamento. Ainda hoje o Decreto-Lei Nº25 é o principal instrumento de preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Rodrigo Melo Franco de Andrade
O advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade nasceu em 17 de agosto de 1898 em Belo Horizonte. Foi redator-chefe e diretor da Revista do Brasil. Iniciou a vida política como chefe de gabinete de Francisco Campos, atuando na equipe que integrou o Ministério da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas. Entre 1934 e 1945, período em que Gustavo Capanema era ministro da Educação, Rodrigo Melo Franco de Andrade integrou o grupo formado por intelectuais e artistas herdeiros dos ideais da Semana de 1922, quando se tornou o maior responsável pela consolidação jurídica do tema Patrimônio Cultural no Brasil. Em 1937 fundou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, atual IPHAN, que presidiu até 1967.
Mário de Andrade
Mário de Andrade nasceu em São Paulo, em 9 de outubro de 1893. Poeta, romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte e fotógrafo, foi um dos principais inspiradores do Modernismo no Brasil, exercendo grande influência na literatura e nas artes modernas brasileira. Esteve pessoalmente envolvido em praticamente todas as áreas que estiveram relacionadas com o modernismo. Suas fotografias e seus ensaios, que cobriam uma ampla variedade de assuntos, da história à literatura e à música. Depois de também trabalhar como professor de música e colunista de jornal, no fim de sua vida, tornou-se diretor-fundador do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo, formalizando o papel que havia desempenhado durante muito tempo como catalisador da modernidade artística na cidade e no país.

Fonte: SITE DO IPHAN (com inserção de imagens)

sábado, 31 de agosto de 2013

SUBPAC e DRE 8 realizam curso de formação para professores

Renantique lotou o Museu Histórico de Sergipe

“Patrimônio Cultural e Ações Educativas” esse foi o tema do curso de formação continuada para professores do Ensino Básico da rede estadual de ensino realizado pela diretoria regional de Educação (DRE 08), da secretaria de Estado da Educação em parceria com a Subsecretaria de Patrimônio Histórico e Cultural (SUBPAC) e com o IPHAN. O curso teve início na manhã de sexta-feira, 23, e terá a duração de 80h, divididas em seis dias de atividades interdisciplinares, com conclusão no próximo mês de novembro.

O objetivo do curso de formação é capacitar os professores da rede pública de ensino quanto aos aspectos práticos e teóricos da Educação Patrimonial, bem como facilitar a conscientização da comunidade para a preservação de patrimônio material e imaterial. O primeiro dia de atividades foi realizado na cidade histórica de São Cristovão, onde fica localizada a Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade. As atividades começaram com a abertura do subsecretário de Patrimônio do Estado, Professor Luis Alberto, seguida pela palestra da professora Beatriz Góis Dantas, mestre em Antropologia, com o tema “O conceito antropológico de Patrimônio Cultural”.

Após as palestras os professores acompanharam um recital de poesias com os poetas e historiadores, Thiago Fragata e Maria da Glória, que na ocasião emocionaram os presentes com diversas poesias, entre elas a de Ferreira Gullar “Quando dois e dois são quatro”. As atividades continuaram com a visita guiada ao Museu de Arte Sacra e ao Museu Histórico de Sergipe. 
Maria Gloria fez recital com Thiago Fragata


Para o diretor da DRE 08, Gaspeu Fontes, a sua diretoria é estratégica para as ações de patrimônio, pois abrange os municípios que abrigam as cidades consideradas mais importantes para o patrimônio histórico cultural de Sergipe, que é Laranjeiras e São Cristovão. “Nós tomamos a iniciativa de realizar esse curso, pois não poderíamos contar com profissionais melhores que os professores para estarem multiplicando a importância da preservação dos patrimônios históricos e culturais dessas cidades históricas”, afirmou o diretor.

Fontes destacou ainda a grande procura dos profissionais pela capacitação, “abrimos o curso para 70 profissionais, mas tivemos que ampliar as inscrições, pois mais de cento e dez professores solicitaram a matrícula, atribuo a grade procura à qualidade técnica dos profissionais que trouxemos para compor esse curso, a professora Beatriz Góis é unanimidade no que diz respeito ao patrimônio, o professor Luiz Alberto também, então estamos satisfeitos com os resultados alcançados”, destacou o professor Gaspeu Fontes, diretor da DRE 08.  

Durante a tarde os professores acompanharam o projeto “Patrimônio em Concerto”, realizado pela secretaria de Estado da Casa Civil, por meio da SUBPAC em parceria com a SERGÁS. O concerto foi realizado pelo grupo de música medieval e renascentista Renantique no Museu Histórico de Sergipe. Já no final da tarde os professores puderam acompanhar um cortejo de grupos folclóricos da cidade de São Cristovão.

Para a professora Beatriz Góis, ”iniciativas como essa são louváveis, pois os professores são os melhores atores sociais para proteger e difundir a importância de preservação do Patrimônio, principalmente da forma como está se dispondo o curso com a parte teórica e prática da conservação de patrimônio material e imaterial”, analisou a professora. O curso terá continuidade nas cidades de Laranjeiras, Aracaju e Porto da Folha, todas as cidades importantes berços da História e Cultura do Estado de Sergipe, com palestras e apresentações culturais. A próxima aula será no dia 27 de setembro na cidade de Laranjeiras. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A Presidente do IPHAN visita São Cristóvão

Diretor do MHS, Thiago Fragata, e Presidente do IPHAN, Jurema Machado


A presidente do IPHAN, Jurema Machado, visitou nesta última quinta-feira, 29 as cidades de São Cristóvão e Laranjeiras, junto com alguns superintendentes e coordenadores do IPHAN, entre eles Terezinha Alves de Oliva, Superintendente do IPHAN em Sergipe. Em São Cristóvão a recepção calorosa foi feita por Mestre Satú e o seu Reisado, na Praça São Francisco.

Estavam presentes representantes do Governo Municipal dentre os quais o prefeito em exercício Jorge Eduardo Santos, a Secretária de Obras Maria Olivia Chirife, a Presidente da Associação João Bebe Água Dilene Job; representantes do Governo do Estado o diretor administrativo e financeiro da (Empresa Sergipana de Turismo) EMSETUR Armando Batalha Júnior, as coordenadoras do Escritório Técnico da SUBPAC Vânia e Jailda. 

Jurema Machado verificou os locais que serão alvo dos benefícios trazidos pelo PAC das Cidades Históricas na cidade, conheceu ações de Educação Patrimonial na Casa do IPHAN e conversou com o diretor do Museu Histórico de Sergipe, Thiago Fragata, ganhador de uma das categorias do Prêmio Rodrigo de Melo Franco. 

O PAC Cidades Históricas é uma ação intergovernamental articulada com a sociedade para preservar o patrimônio brasileiro, valorizar nossa cultura e promover o desenvolvimento econômico e social com sustentabilidade e qualidade de vida para os cidadãos.

O programa é uma importante conquista e consolida significativos resultados obtidos a partir do incremento das políticas culturais em nosso país, em especial da implementação do Programa Monumenta, o qual promoveu impactos muito positivos para as comunidades de 26 municípios beneficiados.

Ampliar a abrangência dessa estratégia de desenvolvimento, para posicionar o patrimônio cultural como eixo indutor e estruturante, é o objetivo do PAC Cidades Históricas que atuará, inicialmente, em 44 cidades, de 20 estados da federação, com a disponibilização de R$ 1 bilhão de reais até 2015, em obras públicas. Outros R$ 300 milhões estão destinados a uma linha de crédito para proprietários de imóveis de cidades tombadas pelo IPHAN.

A Praça São Francisco ser Patrimônio Mundial serviu de argumento para que São Cristóvão fosse contemplada pelo PAC das Cidades Históricas. Depois de um processo seletivo de projetos São Cristóvão conseguiu angariar recursos para oito (08) ações. São elas:

Restauração do Sobrado do Balcão Corrido 
Restauração da Sede da Prefeitura Municipal
Restauração da Antiga Casa de Câmara e Cadeia 
Restauração da Igreja N. Sra. do Amparo
Restauração dos prédios da Estação Ferroviária e Capelinha e requalificação urbanística de sua esplanada 
Restauração da Igreja Nossa Senhora do Rosário 
Restauração do Convento São Francisco
Restauração do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vereadora Lucimara destaca prêmios recebidos por museus

Prêmo RMFA 2013 é destacado na Câmara de Vereadores de Aracaju

Por Aline Braga

Na tarde dessa quarta, 15/8, a vereadora Lucimara Passos (PCdoB/SE) fez questão de comemorar os prêmios concedidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a duas instituições sergipanas. O Museu Histórico de Sergipe (MHS) e o Museu da Gente Sergipana, criado pelo Instituto Banese, ganharam, respectivamente, nas categorias ‘Políticas públicas, programas e projetos governamentais’ e ‘Responsabilidade Social’ na 26a edição do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. “Esses prêmios são importantes porque promovem o reconhecimento de uma política estabelecida pelo governo do Estado para a preservação da memória e da identidade do povo sergipano”, exaltou Lucimara.

Ao total foram 233 projetos inscritos em todo o Brasil e somente Sergipe e São Paulo conseguiram dois prêmios nessa edição que contemplou instituições em oito categorias. De acordo com Lucimara, esses prêmios destacam o brilhante trabalho da secretária de Estado da Cultura Eloísa Galdino. “Ela sempre deu prioridade à preservação da memória e, junto com sua equipe, está alinhada às ações que pretendem estabelecer cadeias produtivas, formação dos agentes culturais e economia da cultura”, conclui. A vereadora também ressaltou o excelente trabalho dos diretores dos museus Thiago Fragata e Marcelo Rangel e da excelente gestão de Ézio Déda à frente do Instituto Banese.

OS MUSEUS 

O MHS, que fica em São Cristóvão, é dirigido pelo historiador Thiago Fragata e foi contemplado por mérito na execução do projeto educativo realizado entre os anos de 2010 e 2012. Criado em 1960, o MHS atende turistas e público escolar e também serve de “casa de pesquisa” por meio de seus catálogos, artigos e palestras. Além disso, tem uma localização privilegiada, em frente à Praça São Francisco, Patrimônio Mundial da Humanidade pela União das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Thiago Fragata teve atuação destacada no reconhecimento internacional desta praça.

Já o Museu da Gente, localizado em Aracaju, é uma obra recente, fruto da restauração do antigo prédio do teatro Atheneuzinho e que gerou grande expectativa da população aracajuana à época de sua inauguração em novembro de 2011. A equipe do museu almeja que até 2017 ele seja uma instituição de reconhecimento nacional enquanto instrumento de preservação e disseminação artes e da cultura. “Estamos caminhando na direção certa e é importante que o Brasil reconheça o exitoso trabalho que vem sendo desenvolvido no âmbito cultural em Sergipe”, conclui Lucimara.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Praça São Francisco recebe o curta "As Aventuras de Seu Euclides: Lambesujo e Caboclinho"

Curtas projetados nos monumentos divertiram público

Seu Euclides é o personagem central da série de curtas do projeto "As Aventuras de Seu Euclides", idoso sergipano, afro-brasileiro e contador de causos. Ele conta e reconta feitos de seus antepassados que deram origem ao nosso folclore.


Já foram realizados e exibidos pelo Brasil dois curtas, o 1º vídeo de “Seu Euclides” foi em 2007, sobre os “Parafusos”, e o 2º em 2009, sobre a “Chegança”. Em 2012, o 3º vídeo traz a temática "Lambe Sujo e Caboclinho".

Marcelo Roque é o diretor desta trilogia, foi premiado no Curta-se 2008, Curta-se 2010, onde recebeu dois prêmios: 1º lugar nos vídeos sergipanos e menção honrosa na categoria de vídeos ibero-americano.

Na sexta, 10/8, a Casa do IPHAN em parceria com o Museu Histórico de Sergipe, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e o próprio Marcelo Roque promoveu a exibição dos vídeos que foi realizada incialmente na Casa do IPHAN e finalizada na Praça São Francisco, Patrimônio Mundial.

domingo, 13 de maio de 2012

Cinqüentenário do MHS em 3 tópicos (1960/2010)

Luis Garcia, em seu governo foi criado o Museu Histórico de Sergipe (3/5/1960)


Thiago Fragata*
I - O SOBRADO[1]

No dia 5 de março de 2010, o Museu Histórico de Sergipe completou 50 anos de existência. Meio século de vida, no caso em tela de atividades, de avanços e retrocessos, suscita reflexões além da festa programada pelo Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Cultura. Nesse sentido minha contribuição, de pesquisador, ora revelada e ainda incipiente, pretende compor a trajetória do prédio, citar idealizadores e benfeitores desta importante instituição museal.

Prédio e acervo do Museu Histórico de Sergipe remontam o século XVIII. Naquele contexto de um Brasil Colonial a economia canavieira galgara pico de produção e o mercado exterior favorecendo o embelezamento de conventos e igrejas. Boa parte dos sobrados existentes no centro histórico de São Cristóvão, sede da então Capitania de Sergipe d’El Rey, serviam a administração ou moradia de burocratas e veraneio de abastados senhores de engenho da zona do Cotinguiba e/ou do Vaza Barris. Este não era o caso do proprietário do sobrado localizado a praça São Francisco de São Cristóvão, o tenente Domingos Rodrigues Vieira de Melo, um militar.  

A Emancipação Política de Sergipe da Bahia, em 1820, ocasionou a crescente necessidade de compra e disponibilidade de prédios para administração. Disso resultou a compra do sobrado ao militar no ano de 1823. Incorporado aos próprios nacionais o prédio foi reedificado e inaugurado em 12 de outubro de 1825, na gestão do Presidente (Governador) Manuel Clemente Cavalcante de Albuquerque, como parte das comemorações das Festas Nacionais em homenagem ao aniversário de Sua Majestade D. Pedro I e à Fundação do Império.[2]

Com acentuada tendência liberal, Manuel Clemente governou durante 20 meses, impingindo medidas inovadoras e alheio aos embates políticos. Dentre as principais medidas constam a fundação de um jardim botânico para centro de apoio a agricultura; organização da “Casa do Trem” com instrutor para formar trabalhadores de artes e ofícios manuais, ampliação do efetivo militar e introdução de método lancasteriano na educação da Província.[3] Sua morte repentina, no dia 2 de novembro de 1826, consternou a todos. Como ele havia manifestado o desejo de ser enterrado “numa das igrejas da cidade”, foi inumado no chão do Convento São Francisco.[4]

Em 1855, o Palácio do Governo foi avaliado, com certo exagero, em 50:000$000 (cinqüenta contos de réis), num momento em que os opositores a Mudança da Capital listava o prejuízo aos cofres públicos com o ato de Inácio Joaquim Barbosa, então Presidente da Província.[5]

Cinco anos depois, em viagem pelo nordeste, o imperador Dom Pedro II conheceu Sergipe entre os dias 4 e 19 de janeiro de 1860, na companhia da imperatriz Tereza Cristina. O monarca visitou a ex-capital no dia 18 e foi homenageado no prédio que servia de Câmara Municipal de Vereadores. Nele armou-se capela e sala de despachos, teve beija-mão e dossel para o ilustre monarca.[6]

João Bebe-Água, apelido do principal opositor a Mudança da Capital, foi vereador do Partido Liberal e nessa condição freqüentou o vetusto monumento. Apesar dos adjetivos impingidos pelos adversários políticos (louco, maltrapilho, cachaceiro) João Nepomuceno Borges, seu nome de batismo, legou uma comovente lição de amor a cidade de São Cristóvão. A promessa de guardar fogos para estourar no dia do retorno da Capital e a jura de morrer sem conhecer Aracaju romantiza seu incompreendido bairrismo quixotesco.  

O Estado comprou o prédio que pertencia a Fazenda Federal por 2:000$000 (dois contos de réis), conforme escritura de compra e venda de 19 de março de 1918.[7] Experimentou um período de completo abandono. Nas décadas de 1920 e 1930, nele funcionou a delegacia da cidade. Em janeiro de 1940, durante gestão do prefeito Antônio Silvio Bastos o antigo Palácio Provincial foi reformado para instalação da Escola Barão de Mauá.[8] Mas foi a Mesa de Rendas Federais (Exatoria) que aí permaneceu instalada durante anos. Em 1951-1952, era sede do sindicato dos Operários de São Cristóvão, com sala de jogos e salão de baile. O Grupo Escolar Vigário Barroso ficou instalado durante reforma de sua sede.

Em 1960, no dia 5 de março, foi inaugurado o Museu Histórico de Sergipe, no Governo de Luis Garcia. Seu rico e diversificado acervo tem marca dos organizadores-curadores, os irmãos Junot Silveira e Jenner Augusto. Mais falar dos idealizadores e benfeitores é assunto para o próximo tópico.

II - OS PIONEIROS[9]

José Augusto Garcez, pioneiro no campo da museologia

Os 50 anos do Museu Histórico de Sergipe festejado em março (2010) não olvida os antecedentes. O Museu de História e Arte Popular, como foi anunciado em agosto de 1959, por Junot Silveira, lembrava o Museu Sergipano de Arte e Tradição criado por José Augusto Garcez em 1948.[10] Neste tópico falaremos do pioneirismo deste e de outros pesquisadores que influíram direta ou indiretamente na concepção do Museu Histórico de Sergipe.

José Augusto Garcez nasceu em 1918, na Usina Escurial, em São Cristóvão. Iniciou seus estudos secundários no Colégio Tobias Barreto, concluindo no Colégio Maristas, em Salvador. Mais tarde, ainda na Bahia, iniciou o Curso de Direito, que, por motivos de saúde, não chegou a concluir. Aos 20 anos o sancristovense era colaborador em jornais de Sergipe, Rio de Janeiro e São Paulo.

Imbuído do desejo de musealizar as raízes culturais de Sergipe, José Augusto Garcez fundou, em 1948, e manteve com recursos próprios, o Museu Sergipano de Arte e Tradição, o qual foi detentor de um grande acervo referente à cultura material de Sergipe, resultado de coletas feitas em suas viagens pelo interior do Estado. A partir de suas ações museológicas, Sergipe passa a se destacar no quadro da museologia nacional, acompanhando o período de efervescência do surgimento dos Museus de Arte Moderna.[11]

No Museu de Arte e Tradição o intelectual preservou, pesquisou e comunicou o patrimônio salvaguardado. Mesmo funcionando em um espaço inapropriado, o que limitava a expografia e dava um aspecto de grande reserva técnica ou depósito, a instituição cumpriu suas funções museais, conferindo-lhe destaque diante de sua funcionalidade e sendo bastante visitado.

Atuando em vários planos da Museologia, Garcez foi da prática à teoria com o seu livro Realidade e Destino dos Museus, de 1958, sendo o responsável por uma obra pioneira de análise crítica-comparativa das primeiras instituições museológicas do Estado. Diante do exposto, não havia como conceber o Museu de História e Arte Popular, em 1959, que se concretizaria no ano seguinte com o nome de Museu de Sergipe.[12].
José Calasans e Lauro Barreto sensibilizaram o Governador para criação do MHS

Dois nomes influenciaram na escolha do antigo Palácio Provincial de São Cristóvão para sediar a instituição museal: José Calasans Brandão da Silva e Lauro Barreto Fontes. O primeiro nascido em Aracaju (1915), professor, folclorista e renomado historiador da História de Aracaju e da Guerra de Canudos. O papel de José Calasans como primeiro agente do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Sergipe foi relegado pelos pesquisadores da sua vida e obra, daí a grande dificuldade para escrever esse parágrafo. Somente numa entrevista concedida na Videoteca Aperipê Memória (TV Aperipê), em dezembro de 1993, Calasans depõe que junto com o engenheiro Lauro Barreto Fontes foi responsável “na preparação daquele museu de São Cristóvão”.  Ele esclarece que parte do acervo que recolheu para o Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe foi doado para compor a instituição. Em seguida o entrevistado afirma: “foi uma sugestão, de certo ponto, minha que levou o Luís Garcia a fazer àquele Museu”.

O engenheiro Lauro Barreto Fontes era, coincidentemente, agente do Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Sergipe a época da inauguração do Museu de Sergipe. A partir de um apelo seu e do amigo José Calasans junto ao Governador de Sergipe Luis Garcia, em Ondina, Salvador, nos idos de fevereiro ou março de 1959, este se convenceu a abraçar a idéia.[13] Do encontro saíram Luis Garcia e seu Secretário de Governo, Junot Silveira, convencidos da importância e viabilidade do projeto sugerido pelos conterrâneos. Naquele ano, enquanto os jornais sergipanos anunciavam o futuro Museu, Maria Thetis Nunes concluía o curso de Museologia, no Museu Imperial do Rio de Janeiro, como aluna de Gustavo Dodt Barroso, considerado o “Pai da Museologia Brasileira”.[14] Embora a professora Thetis, como era conhecida, não tenha desenvolvido trabalhos na área - ela faleceu em setembro de 2009 e sequer foi pegar diploma - o jornal A Cruzada chegou a anunciá-la como diretora do Museu Histórico de Sergipe. Receber agradecimento de Junot Silveira, no dia da inauguração do Museu Histórico de Sergipe (3/5/1960), endossa sua participação na obra.
Maria Thétis Nunes também contribuiu para criação do MHS

Adiante dedicaremos atenção especial a Jenner Augusto. Focaremos sua vida, arte e o desafio de organizar o Museu Histórico de Sergipe. Até porque não há como falar do passado e presente desse museu sem considerar a determinação, a sensibilidade e o amor que o artista aracajuano tinha pela instituição.    

III - JUNOT SILVEIRA & JENNER AUGUSTO[15]

Secretário de Governo, Junot Silveira, incentivou doações e avaliou acervos adquiridos

Irmão de Junot Silveira, jornalista e secretário de Governo de Luis Garcia, Jenner Augusto foi convidado para repetir no seu Estado natal o que fizera pelo Museu da Arte da Bahia. Animado qual artista renascentista, deixou aquele Estado e encastelou-se no antigo Palácio Provincial com a mulher Luisa e seus filhos. Destacaremos nesse artigo o seu trabalho de restaurador, artista plástico e curador do Museu Histórico de Sergipe.

Os irmãos nasceram em Sergipe, Junot em Estância, Jenner em Aracaju (1924). Filhos de Maria Catarina e Augusto Esteves da Silveira. Ainda crianças conheceram São Cristóvão, em 1926, onde a família morou até 1933. Em suas crônicas no jornal A Tarde, da Bahia, já na década de 1990, Junot recordaria parte preciosa da infância. Os irmãos aprenderam a ler na Escola das Irmãs da Imaculada Conceição instalada no Convento do Carmo. Sua mãe, viúva à época, foi professora no Grupo Escolar Vigário Barroso. Numa destas reminiscências, Junot enreda o antigo Palácio da Província. Lembra que regularmente freqüentava o prédio para cortar o cabelo com soldado Ezequiel ou para descontar “vale” de 10 mil réis da sua mãe. É que o vetusto monumento servia de quartel, cadeia e exatoria.[16]

Além de São Cristóvão a família residiu em Itabaianinha, Lagarto, Laranjeiras. Digressão a parte, voltemos a 1959, quando Jenner pensa a obra desafiadora do Museu de Sergipe e nos meios para concretizá-la. Empreende viagens ao interior, avalia acervos, por vezes compra do seu bolso, vai a Salvador pedir o auxílio dos amigos. Colaboradores de prontidão: Mario Cravo, Sanson Flexor, Caribé, Inimá de Paula, Tereza d'Amico, João Garbogini Quaglia, Humberto Cerqueira e Marcelo Glassman.[17]

Jenner Augusto, auto-retrato, 1981. Acervo MHS
Acende nele a idéia de destacar a obra de Horácio Hora, maior expressão da arte sergipana, numa das salas do futuro museu. Ele mesmo havia pesquisado e restaurado várias obras do artista laranjeirense, sob encomenda do Governo de Sergipe.[18] Junot recorre a compreensão das famílias detentoras de acervo artista e começam as doações em prol do Museu Histórico de Sergipe: Álvaro Santos, além de seus quadros, doa três obras do artista romântico; as sobrinhas de Horácio Hora, Almerinda e Baltazarina Góis, completam as doações. Do Museu de Arte da Bahia chega a obra-prima do artista, Peri e Ceci.

Mobílias, cofres, esculturas, artes plásticas, medalhas, moedas e os mais diversos artefatos, inclusive as ruínas de um antigo convento carmelita do século XVIII, chegam para compor a exposição permanente concebida por Jenner Augusto. A outra parte do acervo foi adquirida a expensas do Estado.

Além do aporte técnico-financeiro garantido pelo Departamento de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN, atual IPHAN), sob a presidência de Rodrigo Melo Franco de Andrade, a obra legada pelo Governo de Luis Garcia, conheceu dois padrinhos que não podem permanecer no limbo. Um é Lourival Fontes, sergipano de Riachão do Dantas, senador. O outro é Lourival Baptista, deputado federal. Embora nascido na Bahia, este começou sua vida política em São Cristóvão, em 1951, onde se elegeu prefeito. Juntos, os parlamentares “consagraram no Orçamento da União, uma verba de um milhão de cruzeiros para o Museu”.[19]

Numa simples consulta ao livro de tombo do Museu Histórico de Sergipe, hoje, é possível identificar o acervo recolhido em 1959 e 1960. O exercício é importante para melhor compreender o pensamento de Jenner Augusto, que mesmo depois de encerrado o trabalho de curadoria virou benfeitor, doando obras do seu acervo particular.

A grande descoberta desta incursão nos anos de 1959 e 1960, permite concluir: a) que embora não se trate do primeiro museu criado no Estado, o Museu Histórico de Sergipe, como atesta esse momento natalício, é o mais antigo; b) sua criação envolveu um conjunto de atores, que num enredo de um ano (março de 1959 a março de 1960) sonharam, trabalharam, patrocinaram, enfim, efetivaram a obra. Talvez pela sua condição de artista, restaurador, benfeitor é justo relembrar um parecer de Junot Silveira sobre o sentimento que unia seu irmão ao Museu Histórico de Sergipe: “Ele fez tanto pelo museu da velha capital que há pouco um jovem repórter divulgou ampla matéria, afirmando que Jenner fincou pé em São Cristóvão para que o museu se fizesse... outros também muito fizeram pela casa de cultura sergipana, embora nenhum contasse com o entusiasmo de Jenner, o que não se pode negar. Mas o pintor reconhece a sugestão de Lauro Barreto e de José Calasans, e do Governador Garcia, de empresários e trabalhadores, políticos e homens do povo, autoridades e famílias sergipanas. Todos, quase sempre no seu silêncio, colaboraram com tão boa vontade, como se fosse pedras grandes e pequenas, pedras lascadas e polidas, que sob a argamassa do amor a Sergipe, fizeram do antigo Palácio Imperial um inconfundível obra para os presentes e os futuros”.[20]





* Thiago Fragata é graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em História Cultural pela mesma universidade, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), membro do Grupo de Estudos História Popular do Nordeste (GEHPN/CNPq) e diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS). E-mail: thiagofragata@gmail.com

NOTAS DE PESQUISA
[1] FRAGATA, Thiago Fragata. Cinqüentenário do Museu Histórico de Sergipe: o sobrado (I). JORNAL DA CIDADE. Aracaju, ano XXXIX, N. 11.309, 28 e 29/03/2010, p. B-11.
[2] NUNES Maria Thétis. História de Sergipe a partir de 1820. Rio de Janeiro, Editora Cátedra, 1978, p. 113.
[3] NUNES, Maria Thétis. Sergipe provincial. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2000, p. 141, 151 e 154.
[4] Testamento de Manoel Clemente Cavalcante de Albuquerque. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Aracaju, ano II, n. 5, 1914, p. 131-132.
[5] Correio Sergipense. Papéis antigos. Revista do Aracaju. Aracaju, 1944, p. 265.
[6] GALVÃO, Manuel da Cunha. Viagem Imperial á Província de Sergipe, ou narração dos preparativos, festejos e felicitações que tiverão logar por occasião da visita que fizerão á mesma província, em janeiro de 1860. Bahia: Typ. do Diário, 1860, p. 95.
[7] Cartório do 1. Ofício da Comarca de Aracaju. Livro de Notas, fls. 57 a 59.
[8]  Recibo de despesa. Tesouraria Arquivo da Prefeitura Municipal de São Cristóvão, 04/12/1939-05/04/1940.
[9] FRAGATA, Thiago Fragata; SANTOS, Cláudio de Jesus. Cinquentenário Do Museu Histórico de Sergipe: os pioneiros (II). Jornal da Cidade. Aracaju, ano XXXIX, N. 11314, 4 e 5/4/2010, p. B-11.
[10] São Cristóvão, sede do Museu de Arte Popular. Correio de Aracaju. Aracaju, ano LII. N. 6272, 29/08/1959, p. 4.
[11] LOURENÇO, Maria Cecília França. Museus Acolhem Moderno. São Paulo: EDUSP, 1999, p. 89.
[12] SANTOS, Cláudio de Jesus. José Augusto Garcez, precursor da museologia sergipana. Jornal da Cidade. Aracaju, 1/6/2009, p. B6.
[13] SILVEIRA, Junot. O Museu de Sergipe. A Tarde. Salvador, 27/2/1994, p. 5.
[14] FRAGATA, Thiago. Thetis Nunes, museóloga sim! Divirta-se. Aracaju, ano 1, n. 6, nov. 2009, p. 19.
[15] FRAGATA, Thiago Fragata. Cinquentenário Do Museu Histórico de Sergipe: Jenner Augusto (III). Jornal da Cidade. Aracaju, ano XXXIX, n. 11322, 14 de abril de 2010, p. B-6.
[16] SILVEIRA, Junot. Uma teimosia. A Tarde. Salvador, 09/7/1989, p. 5.
[17] Diário Oficial. Aracaju, ano XLI, 11/02/1960, p. 2.
[18] Correio de Aracaju. Aracaju, ano LII. N.6222, 20/03/1959, p. 4.
[19] Diário Oficial. Aracaju, ano XLI, 9/3/1960, p. 5.
[20] SILVEIRA, Junot. O Museu de Sergipe. A Tarde. Salvador, 24/1/1993, p. 5.







segunda-feira, 7 de maio de 2012

Freire Ribeiro e a cidade musa-museu

Freire Ribeiro, crayon de Florival Santos, SD
Acervo do MHS


Thiago Fragata*

O poeta João Freire Ribeiro nasceu em Aracaju em 4 de setembro de 1911 e faleceu em 24 de janeiro de 1975. Foi durante anos o diretor técnico da Biblioteca Pública Epifanio Dória.[1] Freqüentou São Cristóvão a partir da década de 1950 incentivado pelos amigos José Calasans, Lauro Barreto Fontes, agente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e do sancristovense José Augusto Garcez.

Tinha na cidade colonial um elo sentimental que união o poeta a sua musa. Confessava que a cidade respirava poesia e chegava a dormir em seus templos a fazer boemia pelas ruas e praças a espera da inspiração. “O vate amou e exaltou a velha cidade”, reconheceu Arivaldo Fontes, não por acaso doou acervo para compor o Museu Histórico de Sergipe e dedicou-lhe a obra São Cristóvão de Sergipe D’El Rei, publicado em 1971.[2] A poesia “Museu”, dedicada ao Governador Luiz Garcia, emoldura as páginas que merecem reedição.


MUSEU



Penetro o Museu
No belo Palácio!...
Bagnuolo me fala
De luta sangrenta
Que a História aviventa!

Feroz mortandade
As tropas de Holanda
Brigando nas ruas
Da nobre cidade!
Labatut, vai comigo...
Brigadeiros, barões!...
Dom Pedro Segundo
Outrora bailando
De barbas bem loiras,
Nos grandes salões!

Esculturas em pedra
- tesouros achados
Na terra enterrados
Num velho convento,
- ruína sagrada,
Sem frades, sem santos,
No templo ultrajado!

Cadeirinha mimosa...
Onde negros escravos
Chegados do Congo?
Cadeirinha saudosa
De linda Senhora,
De langue Donzela
De cor duma estrela
Nas montras da aurora!

Brazão esplendente
Brasil refulgente
Aos olhos do mundo
Nos fastos do Império
Com Pedro Segundo!

Um Cristo, obra-prima.
- imagem sombria
Sem braços, penando,
Em chagas sangrando
Numa imensa agonia!

A tarde, lá fora,
Em luz se desfaz:
São Cristóvão é um ninho
De sonho e de paz!...

Cachimbos, taieiras,
Ferrenhos punhais
Dos cãibras do Norte
Instrumentos terríveis
De cenas de morte!

Canhões de outras eras
Com limos de glória,
Dormindo, caducos,
Nas noites da História!

Pistolas, espadas
Mil bravos lembrando
Cocares e bestas
Com arcos de índios
Nas paredes pousando!

Horácio, presente
Nos quadros eternos
Da nossa pintura!

Cenário ameríndio:
Em tela gigante
Cecília dormindo
Em selvagem piroga,
Em doce postura
À sombra do índio!

Régias camas vazias
Com lindos brocados,
Recordando mil noites
Com corpos amados!...

A cama é um ninho,
Uma breve pousada
Do corpo que espera
A viagem do nada!...

Num pátio mouruno
Do lindo Palácio
Revejo, sonhando,
Pepita Tangil,
Uma flor espanhola
Em desterro morrendo
Em Sergipe, Brasil!

Espanha presente
No belo Palácio
Mouruna gitana
Aparece aos meus olhos!
Vem com flor e mantilha
Bailando ao compasso
De flauta encantada
Solando a saudade
Da Arábia em Sevilha!...

As sombras me falam,
Os mortos me chamam!
A tarde é lá fora
Em sanguínea agonia
Uma rosa dorida!
O Palácio está cheio
De vultos fugidos
Das cenas da vida!

A vida, me chama!
São Cristóvão cintila
Num lindo poente
De púrpura e ouro
Na tarde tranqüila!

Adeus, São Cristóvão!

Adeus, Bebe-Água!
Visão aparece
À luz dos meus olhos,
De barbas ao vento:
Frei Luiz do Rosário
Olhando a cidade
Dum velho Convento!

Um sino plangendo
No bojo da tarde,
Meu sonho desfaz!

Um sino, que brônzeo
No tempo, soletra
Os nomes queridos
Dos mortos, vivendo
Nos Reinos da Paz![3]



*Thiago Fragata é graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em História Cultural pela mesma universidade, sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE), membro do Grupo de Estudos História Popular do Nordeste (GEHPN/CNPq) e diretor do Museu Histórico de Sergipe (MHS). E-mail: thiagofragata@gmail.com
NOTAS
[1] BRASIL, Assis (org.). A poesia sergipana no século XX: antologia. Rio de Janeiro: Imago; Aracaju: SEED/SE, 1998, p. 74.  
[2] FONTES, Arivaldo Silveira. Freire Ribeiro e São Cristóvão. __. In: Figuras e fatos de Sergipe. Porto Alegre: Ed. CFP SENAI, 1992, p. 36.
[3] RIBEIRO, João Freire. São Cristóvão de Sergipe D’El Rey (Poesias), S/Ed, 1971, p. 21-25.